Um paraíso para pedestres

Aos que leram o post abaixo, queria recomendar a leitura desta matéria sobre as medidas urbanísticas adotadas pelo ex-prefeito da cidade de Bogotá, na Colômbia, Enrique Peñalosa, que foi publicada pela Revista do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID América) . Dá gosto de ver como outros países do chamado terceiro mundo nos apresentam lições bacanas de cidadania democrática.

Vejam um trecho da matéria:

“Os 20% mais ricos da população da cidade andam de carro”, diz Peñalosa. “As políticas de transporte destinam-se a aliviar o congestionamento de trânsito para esse pequeno segmento da população, criando mais pistas de rolamento para automóveis, que rapidamente ficam também congestionadas.” Nesse sentido, Peñalosa acredita que tais políticas são “essencialmente classistas”. “Nossas cidades no Terceiro Mundo são um reflexo dos piores aspectos de nossas sociedades — versões inferiores de modelos fracassados segundo os quais 20% da cidade vêem com desdém os restantes miseráveis”, critica. O importante, para Peñalosa, é saber por que as cidades vêm sendo projetadas em torno de ruas e autopistas há tanto tempo.

Puxa, isso existe mesmo? Tais palavras foram proferidas por um político de verdade? Existe algo parecido aqui no Brasil? Se vocês leram o post abaixo, viram que São Paulo investiu R$ 233 milhões para construir uma ponte que não comporta pedestres e nem ciclistas, uma ponte que apenas atende aos interesses de quem possui carros.

Outro trecho da matéria:

Em lugar de alargar as ruas para os automóveis, que despreza, ou investir na construção de um metrô, que considera caro e desnecessário, Peñalosa propôs um sistema de ônibus articulados que percorrem seu trajeto em pistas exclusivas. A prefeitura financiou a construção da infra-estrutura do sistema e contratou por licitação empresas privadas para administrar as frotas e pontos de ônibus e realizar sua manutenção. O sistema, chamado Transmilenio, começou a operar em dezembro de 2000 e foi um sucesso imediato. “Custou US$300 milhões e hoje transporta 700.000 passageiros por dia”, diz Peñalosa.

Será que a gente ainda vai acordar para urgência disso tudo? Por que, afinal, só pensamos nos automóveis e suas rodovias? Será que ainda teremos tempo de transformar nossas cidades em lugares bons, aprazíveis, adequados, para a maioria que não possui automóveis e que anda a pé ou usa transporte público?

Enquanto isso, bicicleta, minha gente!

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Uma resposta to “Um paraíso para pedestres”

  1. Nuss…um ano já se passou! Li esse texto e me lembrei daquela imagem da campanha que a galera da bicicletada usa. Andando por SSA de bike esses dias, numa louca aventura com uns amigos, vi o quanto é complicada essa questão dos transportes, das vias, das más estruturas urbanas. É tenso cada dia mais o clima, se não cuidarem, uma hora o tumulto explode.

    “)

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